A Verdade Sobre Shakespeare, Romeu e Julieta

 

Seria a famosa peça de Shakespeare um relato de um caso que de fato aconteceu? E quem seria o autor, que muitos afirmam que nunca existiu ou que não passava de um pseudônimo?

 

"Mistérios Históricos". Esse termo não é novidade para as pessoas mais atentas. Canais de tevê por assinatura como o Discovery Channel já produziram inúmeros programas especiais sobre o assunto, que ganharam edição em DVDs vendidos diretamente para o consumidor. À primeira vista, o tema parece esotérico e trará certa relutância. A maioria dos programas envolve história antiga em questões bastante discutidas e polêmicas, como quem construiu as pirâmides ou o monumento megalítico de Stonehenge, na Inglaterra. Porém, com o passar do tempo (e com a ajuda de Hollywood), as pessoas começam a ver que muitos desses tópicos têm bases muitas vezes sólidas na historiografia, além de um apelo popular incontestável.

 

A tecnologia mais avançada de hoje não é garantia de resolução desses mistérios. Um exemplo disso é a análise química que estudiosos insistem em fazer no santo Sudário de Turim para verificar sua autenticidade. A ideia vigente desde a década de 1970, de acordo com os resultados do carbono 14, era a de que o tecido era originário do século XIV, um resultado que sempre fora contestado pelos fiéis que acreditam piamente em sua origem divina. Recentemente, cientistas europeus divulgaram que, em razão de uma série de fatores externos, o resultado dos testes poderia ter sido alterado, já que a cada 5.700 anos a quantidade de carbono 14 no tecido cai pela metade. Independentemente das crenças, é mesmo o fator oculto que faz com que o interesse das pessoas cresça sobre esses mistérios históricos.

 

Um dos mais conhecidos é a peça de William Shakespeare, Romeu e Julieta. Todos conhecem a história dos amantes de Verona que, impedidos de desfrutarem um do outro pela briga de suas famílias, armam um plano para ficarem juntos que, uma vez que dá errado, somente gerará uma tragédia envolvendo as duas famílias.

 

A primeira versão impressa da peça, que data de 1597, leva no frontispício o comentário de que a história foi “freqüentemente representada em público”, sempre com sucesso. Essa intensidade da história e dos personagens leva a crer que a trama é inspirada em pessoas reais. Um italiano que foi contemporâneo de Shakespeare, chamado Giralomo della Corte, falava para todos os visitantes que passavam por Verona que a tal história era de fato real e que teria ocorrido em 1303. Curiosamente, nem Shakespeare nem seu editor confirmaram a existência histórica dos amantes.

Quem tem paciência para revirar livros antigos, entretanto, afirma que versões semelhantes da tragédia eram possíveis de serem verificadas, como a obra Anthia e Abrocomas, um romance de autoria do escritor grego do século II, Xenofonte Epehesio.

 

Há uma história que seria a fonte usada por Shakespeare, chamada Novellino, de autoria de Massuccio Salernitano, que depois foi novamente recontada 50 anos depois por Luigi da Porto, que teria chamado seus personagens de Romeo e Guilietta. A versão de da Porto continha os mesmos elementos da versão de Shakespeare, inclusive no detalhe dos nomes das famílias (Montecchi e Capelletti).

 

Uma outra versão antiga identificada era de um também escritor italiano chamado Matteo Bandello, que fez uma adaptação em 1554, e, pouco depois, traduzida para o francês. Essa versão foi traduzida para o inglês em forma de versos já com o título deRomeus and Juliet (1562), de Arthur Brooke, e depois para prosa como The palace of pleasure (1567), este último de autoria de William Paynter. Brooke mencionou em alguns escritos que havia visto o mesmo argumento sendo levado à cena, o que fez com que os historiadores acreditassem que Shakespeare tivesse adaptado uma peça cuja origem hoje em dia é completamente desconhecida.

 

Ninguém sabe afirmar ao certo se a peça já retratou o amor perdido de um casal que realmente existiu ou foi uma adaptação de alguma história criada na Antiguidade. O que se sabe, com certeza, é que os nomes das famílias não são invenção de nenhum escritor e que já eram citados por Dante Alighieri em sua A divina comédia, de 1320, quando faz alusões a lutas internas da Itália de então. Já para o historiador americano Olin H. Moore, que sugeriu uma resolução mais ampla, os nomes Montecchi e Capelletti seriam, na verdade, nomes de partidos políticos (e não de famílias) que dominavam a vida política italiana no final da Idade Média, sendo os Montecchi os Guelfos e os Capelletti, os Gibelinos. A verdade, entretanto, permanece obscura.

 

QUEM FOI WILLIAM SHAKESPEARE?
Outra modalidade dos mistérios históricos é uma classe que transforma pessoas famosas em produtos de uma participação anônima ou coletiva. Um caso clássico é o da verdadeira autoria das peças de William Shakespeare, um dos poetas e dramaturgos mais conhecidos da história. Há várias versões levadas a sério pelos historiadores, incluindo a de que o escritor seria o pseudônimo de uma série de autores diversos que, individualmente, nunca obtiveram sucesso, mas juntos criaram obras imortais.

 

Curiosamente, apesar de toda a sua fama, sabemos muito pouco sobre Shakespeare como pessoa, o que dá margem a muitos boatos. E a este fator um outro se junta: o fato de que a autenticidade de suas obras começaria a ser contestada a partir do século XVIII.

 

Em 1903, o romancista norte-americano Henry James (1843-1916) declarou que Shakespeare seria “o mais bem-sucedido farsante que já brincou com a paciência humana”.

 

Um dos primeiros a tentar provar a suposta farsa de Shakespeare foi um nome obscuro, William Henry Smith, que teria divulgado que várias peças, incluindo Hamlet, foram na verdade escritas pelo filósofo e político Francis Bacon (1561-1626). Smith teria apoiado sua teoria em paralelos estatísticos encontrados entre as obras dos dois autores. Uma tal de Sra. Henry Pott afirmou que havia descoberto nada menos do que 4.400 semelhanças entre os textos dos dois autores. Porém, para aqueles que defendem o dramaturgo britânico, essas semelhanças se restringem ao uso de expressões em comum como “bom dia”, “amém” e até “eu lhe asseguro”, bastante comuns para a maioria dos escritores da época.

 

A tendência de duvidar de Shakespeare e de sua autoria cresceu com o tempo e formou um grupo de acadêmicos conhecidos pela alcunha de antistratfordianos (de Stratford-Upon-Avon, o nome da cidade onde Shakespeare nasceu). Outros autores, além de Bacon, foram apontados como sendo os verdadeiros criadores das peças shakespeareanas: Edward de Vere, conde de Oxford, é um deles. Até Sigmund Freud (1856-1939) entrou para o grupo, quando analisou psicanaliticamente algumas de suas obras. Ele teria inclusive alterado as datas dos trabalhos para que correspondessem a acontecimentos da vida do conde.

 

Outro candidato a “verdadeiro Shakespeare” é Christopher Marlowe (1564-1593), o mais famoso dramaturgo britânico antes do surgimento de Shakespeare. Marlowe morreu numa briga de taverna na véspera do dia em que seria preso por ateísmo. Isso levou um jornalista canadense, Calvin Hoff mann, a suspeitar de que a tal morte tivesse sido encenada e que o escritor teria, assim, escapado da execução para continuar a escrever com o nome de Shakespeare.

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