De Quem é o Rosto da Esfinge?

 

Uma das maiores maravilhas arqueológicas mundiais ainda continua a intrigar com a busca que os arqueólogos fazem para identificar quem está representado em sua face.

 

A estátua que mais fascina as pessoas no mundo todo não está num museu fechado, mas sim ao ar livre. Trata-se da Grande Esfinge, que vela pelas três grandes pirâmides alinhadas no Planalto de Gisé, no Cairo, Egito. Testemunha muda da História, estima-se que a escultura tenha sido construída por volta da época da IV Dinastia (2723 –2563 a.C.). As teorias que a cercam são as mais controversas possíveis e vão desde um marcador para uma suposta biblioteca perdida da Atlântida (que estaria em câmaras abaixo de suas enormes patas) até a hipótese de que seja ainda mais antiga do que as pirâmides e que teria sido escavada com outro propósito que não fosse vigiar as últimas moradas dos faraós.

A Esfinge está localizada no que parecer ser o que restou de uma antiga pedreira. Apenas suas cabeça e um pouco da parte superior das costas se projeta acima da elevação geral do planalto que a circunda. Foi construída com pedras de um tipo bem diferente do utilizado paras as pirâmides que guarda. Os dados gerais dão conta que a cabeça se direciona para o nascente, tem 73,15 m de comprimento, 20,12 m de altura e ocupa uma extensão em largura máxima de 4,17 m. O nariz, a serpente Uraeus que ficava na testa (um dos símbolos universais do poder do faraó) e o cavanhaque típico de estátuas masculinas egípcias foram destruídos pela ação do tempo e outros episódios (conta-se que os soldados de Napoleão Bonaparte praticava tiros de canhão nela e uma das hipóteses seria a de que boa parte da destruição do rosto teria sido causada por eles).

A importância desta figura mitológica na vida dos antigos egípcios é mais do que simplesmente representar o poder de seus governantes, considerados divinos. A palavra egípcia que denomina a esfinge é shesep-ankh, que significa imagem viva. Os gregos teriam, segundo alguns pesquisadores, traduziram erroneamente por sphigx, que significa atar, ligar. Isso porque acredita-se que tal personagem seja composto por um elemento animal e outro humano ligados entre si. A crença que predomina entre os arqueólogos é a de que o rosto da estátua é o do faraó Quéfren, filho de Quéops, o construtor da segunda maior pirâmide do complexo. Assim, se levarmos isto em consideração, poderemos interpretar a estátua como sendo uma espécie de Deus Sol, guardião da necrópole composta pelas pirâmides.

Porém, nos últimos anos, essa crença está ameaçada por uma série de pesquisadores que, ao trabalhar em conjunto com artistas e desenhistas acostumados com outros trabalhos como realizar retratos falados e recompor rostos de crânios antigos encontrados, chegaram à conclusão de que os traços do rosto não correspondem às reproduções da face de Quéfren, que possui ainda muitas estátuas sobreviventes que o representam.

Então a pergunta surge novamente: de quem é o rosto da Esfinge?

Para entender bem esta confusão é necessário analisar a função e a simbologia da estátua. Para os egípcios, a figura do leão era usada para mostrar um guardião de lugares sagrados e do subterrâneo de leste a oeste que assumia assim as características de um protetor unido ao corpo do Deus Sol. Segundo inscrições encontradas, há um texto que traz as seguintes afirmações:

“Eu protejo a capela do teu túmulo. Eu guardo tua câmara mortuária. Eu mantenho afastados os intrusos. Eu jogo os inimigos no chão e suas armas com eles. Eu expulso o perverso da capela do sepulcro. Eu destruo os teus adversários em seus esconderijos, bloqueando-os para que não possam mais sair”.

 

Hipóteses

Alguns dos pesquisadores que estudaram as feições e as dimensões do rosto da Grande Esfinge ainda se mantêm em dúvidas. Se por um lado as semelhanças com o rosto de Quéfren de fato parecem ser poucas, alguns afirmam ainda que a intenção dos construtores de tal estátua eram mais ampliados. O símbolo de ser um guardião das regiões (ou territórios) sagradas pode ir mais além. Por isso foram em busca da única imagem que se conhece do pai de Quéfren, o faraó Queóps, o construtor da Grande Pirâmide. Para alguns, a pequena estátua de marfim de dimensões reduzidas (alguns relatos dão conta de que não é maior que a palma regular de uma mão) foi descoberta no início do século XX pelo arqueólogo inglês Flinders Petrie em Abidos, nas proximidades do templo consagrado ao deus Osiris, protetor do além-túmulo, que naquela cidade era objeto de uma veneração especial tanto por parte dos cidadãos.

A pequena imagem mostra Quéops sentado em um trono com espaldar baixo, com a coroa típica do Baixo Egito e na mão direita o mangual, símbolo do poder, enquanto a outra mão se apoia no saiote plissado. A cabeça, encontrada por Petrie algumas semanas depois da descoberta do corpo, foi mais tarde recolocada e mostra um rosto com feições fortemente marcadas, bem distantes dos retratos idealizados típicos de outros faraós. Sua compleição possui ainda os olhos pequenos, o nariz achatado e a boca larga, que refletem a verdadeira fisionomia desse soberano, cuja fama de homem cruel e perverso foi transmitida ao longo dos séculos, até por historiadores de nome como Heródoto. A identificação do pequeno artefato foi possível graças a um dos nomes que compunham o título do soberano, escrito na parte frontal do trono.

Assim, uma das teorias que ainda está sendo analisada, afirma que o rosto da Grande Esfinge seria Quéops,pois as medidas em comparação com a pequena estátua são de fato mais semelhantes que as feitas com Quéfren. Diz essa teoria que o filho teria mandado construir a grande estátua e colocado o rosto de seu pai porque, ao contrário do que era antes apregoado, Quéops teria sido um regente que queria apenas retratar o esplendor de seu poder, usando trabalhadores normais e não escravos, em períodos de cheia (quando não se podia trabalhar as terras férteis) para construir sua “escadaria para o Céu”. Assim a Esfinge seria a representação do espírito de seu pai, que vela por seu povo depois de morto.

Porém, claro, há uma profusão de hipóteses que preferem um caminho mais perigoso: o das teorias de conspiração. Vamos dar uma olhada no trecho abaixo, retirado de um artigo do site Illuminati Tiles Experts:

“Tal como as cronologias recolhidas por diversos autores, a Esfinge também sinalava que a história do Egito se remonta a muito mais tempo do que os estudos conseguem provar. J.A.West em colaboração com o geofísico Thomas Dobecki e o geólogo Robert Schoch da universidade de Boston, levaram a cabo uma minusciosa analise da rocha da Esfinge, o qual concluia que a formação da Esfinge poderia ser fruto da erosão da chuva. Mas, chuva no Egito? Quando? Este era o ponto crucial, pois chuva no Egito existiu antes da mudança climática que assolou o deserto do Saara no fim da ultima era glacial. Todos esses dados contaram com certa aprovação de muitíssimos geólogos depois da apresentação detalhada por parte de West à Sociedade de Geologia Norte-Americana, a qual prometeu fundos econômicos e ajuda técnica para a continuação dos estudos em Gizé. Porém a reação da egiptologia oficial não foi a esperada, pois pressionaram o governo egípcio para que proibisse a realização de provas geológicas a cerca da Esfinge, e trataram de desprestigiar esse tipo de estudo geológicos que haviam interferido na parcela de ‘uso e desfruto’ da egiptologia oficial”.

É claro que pensar que o Egito poderia ter tido um período de chuvas torrenciais pode parecer mais algo do campo da ficção (ou até mesmo bíblico) do que um fato consumado. Há quem arrisque e vá até a borda do trecho onde a Esfinge se encontra e analise a terra que a circunda, chegando à conclusão que tanto o terreno quanto a própria estátua mostra sinais de corrosão provocados por constantes chuvas, o que comprovaria essa hipótese.

Porém, algum tempo depois jornais como o The New York Times e canais de TV paga como o The History Channel começaram a divulgar essa pouca semelhança que o rosto da Grande Esfinge tinha com Quéfren. Antes, porém, que esses veículos jogassem mais areia na polêmica hipótese, a ira da comunidade arqueológica oficial fez com que o governo egípcio moderno cedesse e proibisse, a partir de 1993, todo tipo de investigação por parte de estrangeiros que não contasse com a aprovação do doutor Zahi Hawass, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito.

A polêmica acabou ficando com uma outra hipótese, como conta este outro trecho do artigo:

“Posteriormente novos detalhes apareceram, como o proposto por Robert Baubal e Graham Hancock, que afirmam que a grande desproporção existente entre a cabeça e o resto do corpo da esfinge os fazem crer com quase total segurança que a cabeça original da Esfinge se perdeu depois de alguma remodelação sofrida posterior a sua construção. São muitos os textos antigos e lendas que apoiam a tese de que o rosto da Esfinge representa um deus, como assim conta na estela erigida a mando de Tutmosis IV, entre as garras da Esfinge depois do sonho em que a mesma o prometera o torno do Egito. A respostas pra essas questões e outras a cerca da Esfinge permanecem perdidas e em parte escondidas por aqueles que creem ter a verdade absoluta”.

Há quem ainda arrisque dizer que o verdadeiro modelo para a Esfinge foi o faraó Djedefre ou Radjedef, filho e sucessor imediato de Quéops, que teria reinado antes de Quéfren e que teria construído sua pirâmide em outro local, fora do planalto de Gisé, cujas ruínas foram descobertas no começo do século XX e documentadas pelo The History Channel. O local escolhido foi Abu Roach e calcula-se que teria, se estivesse inteira, aproximadamente 66,2 metros de altura e 106 metros de comprimento.

Djedefré foi o primeiro rei a usar o título de Filho do Deus Sol como parte da titulação real, o que é visto como uma indicação da crescente popularidade do culto ao Sol na figura do deus Rá. Nas ruínas foram encontradas diversas estátuas do faraó, todas com deteriorações, com a face depredada e parcialmente quebradas. Especula-se que esse faraó teria rompido com sua família após assassinar seu irmão Kawab, que seria o verdadeiro sucessor de Quéops, para assumir o trono após a morte de seu pai. Acredita-se que Quéfren, o teria assassinado, tomado o trono e destruído tudo relativo ao irmão, incluído suas estátuas e sua pirâmide.

Até o fechamento desta edição ainda não havia nenhum tipo de conclusão oficial. Mesmo o dr. Hawass, que parece ter a palavra final sobre todos os assuntos que envolvem as antiguidades egípcias, parece um pouco reticente quando se toca nesse assunto. Sua alegação ainda é a de que ele prefere a versão oficial, a de que o rosto da Esfinge é o de Quéfren, mas admite que as areias egípcias escondem ainda muitos segredos e que, caso se encontrem mais detalhes que possam confirmar a identidade do modelo, ele pode mudar de ideia.

 

Curiosidades Sobre Gisé

O terreno onde estão a Esfinge e as três pirâmides é cheio de curiosidades, estudadas à exaustão pelos curiosos. Eis algumas das mais divulgadas:

  1. A altura da grande pirâmide do Egito, pirâmide de Quéops, multiplicada por um bilhão, corresponde, aproximadamente à distância Terra-Sol, isto é, a 149.450.000 Km.

  2. Um meridiano que passe pelo centro da pirâmide divide continentes e oceanos em duas metades exatamente iguais.

  3. A circunferência da pirâmide, dividida pelo dobro de sua altura, resulta no famoso número de Ludof, Pi=3,1416.

  4. As medidas da pirâmide fornece cálculos sobre o peso da Terra.

  5. O solo rochoso sobre o qual se levanta a construção foi cuidadosa e exatamente nivelado

  6. A pirâmide tem 150m de altura, 31.200.000 toneladas de peso, 2 milhões e 600 mil blocos gigantescos

Um Histórico Enigmático

A estátua possui um passado quase tão nebuloso quanto suas origens. Sabe-se que, após o abandono da necrópole de Gisé, foi soterrada até os ombros por areia e apenas no reinado do faro Tutmósis IV, por volta do ano 1400 a.C., é que ocorreu a primeira tentativa de desenterrá-la, conforme pode ser lido na estela que se encontra entre suas patas.

Uma restauração completa do monumento só aconteceu por volta de 1817, supervisionada pelo arqueólogo italiano Giovanni Caviglia, que descobriu todo o peito da estátua. O mundo pode contemplá-la em sua totalidade apenas volta de 1925.

Ninguém conseguiu até hoje saber o que realmente teria acontecido com o nariz da estátua. Apesar da lenda que envolve Napoleão e seus homens (pois nunca foi comprovado historicamente que isso foi um fato) sabe-se, por desenhos feitos pelo ilustrador Frederick Lewis Norden em 1737 e publicados em 1755, que já naquela época não havia nariz.

Outro relato, o do historiador egípcio al-Maqrizi, do século XV, atribui o vandalismo a Muhammad Sa'im al-Dahr, um fanático sufi que, em 1378, após observar que camponeses deixavam oferendas à esfinge na esperança de aumentar suas colheitas, teria destruído a parte mais frágil da estátua.

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