O Sol Negro e os Nazistas

 

Um dos símbolos mais exóticos utilizados pelos seguidores de Adolf Hitler teve suas origens recentemente analisadas sob novas perspectivas pelos historiadores

 

Qual a origem do ódio nazista pelos judeus? Várias teses são conhecidas, mas a que mais encontra adeptos pelo mundo todo é a de que o pensamento ariano, já predominante nos alemães de forma discreta, encontrou um elemento que provocou o foco desses sentimentos e se tornou a válvula de escape desse povo após o fracasso de sua atuação na 1ª Guerra Mundial.

Os famosos Protocolos dos Sábios de Sião, que os nazistas e neonazistas adoram citar como se formassem uma verdadeira obra literária, nada mais são do que uma obra forjada durante a Rússia do Czar Nicolau II, o último dos Romanov, que governou entre 1894 e 1917. A obra culpa os judeus pelos males que se abateram naquele país e surgiu originalmente em edições privadas no ano de 1897, sendo que somente se tornou pública em 1905. É uma cópia tirada de outra obra literária, um romance do século 19 chamado Biarritz, originalmente publicado em 1868, cuja história gira ao redor da existência de uma cabala secreta judaica e suas conspirações para conquistar o mundo.

Esse romance foi criado por um autor alemão claramente antissemita chamado Hermann Goedsche, que preparou o escrito sob o pseudônimo de Sir John Retcliffe. A ideia, por sua vez, veio de outro escritor, Maurice Joly, autor de Diálogos no Inferno entre Maquiavel e Montesquieu, publicado em 1864, o qual tratava de uma conspiração no Inferno contra Napoleão III. Goeddsche somente trocou a figura conspiratória dos escritores citados pelos judeus e inseriu cenários mais contemporâneos.

O Império Russo anterior à Revolução Comunista procurava um bode expiatório para os problemas internos, mais ou menos como na Alemanha entreguerras. E os russos não tiveram escrúpulos ao usarem partes da novela de Goedsche e publicá-las separadamente, já com o nome dos Protocolos, acompanhadas de afirmações de que se tratavam de atas verdadeiras de reuniões secretas realizadas pelos judeus. Com isso esperavam reforçar a imagem do Czar ao identificarem seus verdadeiros oponentes. Registros históricos demonstram que Nicolau já via o Manifesto Comunista de Marx e Engels, publicados em 1848, como uma ameaça. Marx, por ser judeu mas não seguir a religião e falar abertamente sobre a ideia de um regime político em que a religião como um todo seria banida, era a figura perfeita para a criação de uma “ameaça judaica fundamentada".

Apesar de a obra ter sido constantemente acusada como fraudulenta (em 1921, por Philip Grave, um correspondente do London Times; em 1920, por Lucien Wolf no livro The Jewish Bogey and the Forged Protocols of the Learned Elders of Zion; e em 1971, por Herman Bernstein na obra The Truth About The Protocols of Zion: A Complete Exposure, entre outros), ela continuou a ser usada como um documento histórico verídico e confundiu as cabeças das pessoas.

Hitler usaria os Protocolos como uma justificativa para a necessidade do extermínio dos judeus numa atividade de propaganda que começou cerca de dez anos antes da eclosão da 2ª Guerra Mundial. De acordo com o pensamento nazista, era necessário tomar certos cuidados contra os planos judeus de domínio mundial, que haviam sido “descobertos” pelos russos em 1897. Eles ainda afirmariam que o plano ainda estava em andamento 33 anos depois. Hitler dizia que eram a prova da “culpa” dos judeus pela Revolução Comunista.

 

O Sol Negro

Embora os nazistas não admitissem oficialmente o uso de signos místicos, sua crença na raça ariana já os contradiz. E é em Helena Blavatsky que podemos encontrar mais um conceito místico por eles usado, o do Sol Negro.

Blavatsky lançou o conceito na verdade como o Sol Central, apresentado na Gnose como “o Centro de Centros, que enlaça e unifica as nebulosas de milhões e milhões de sóis que existem aos milhares no céu”, em oposição ao Sol Polar, “o centro galáctico de toda a nossa nebulosa e de seus cem mil sóis”. Esse sol invisível simboliza a ascensão de uma força ou polo opositor.

O símbolo pode ser decomposto basicamente em um grupo que contém três suásticas, uma nascente, uma no zênite e uma poente. Uma outra interpretação para o desenho é que ele incorporaria as 12 runas Sig reversas das runas armânicas. O desenho foi também adotado por neonazistas como um substituto para a suástica tradicional.

O Sol Negro foi muito usado como adorno de broches, era possivelmente uma variação da suástica usada nos emblemas da Roma imperial, e era usado por tribos de francos e germânicos como fivela de cintos femininos, o número de raios nos broches varia entre cinco e 12.

O mais famoso local ligado aos nazistas e que apresentou esse símbolo foi mesmo o mosaico de Wewelsburgo, que é onde podemos observar a forma utilizada pelo esoterismo germânico e pelo nazismo esotérico de hoje. Trata-se de um mosaico encontrado no piso de um castelo construído em 1603, datado da época da Renascença e localizado na região conhecida como Renânia do Norte-Vestfália, um dos 16 estados da Alemanha.

O mosaico em questão fica no chão da Torre Norte do Castelo, uma parte que sobreviveu no período em que o local estava em ruínas, até 1815. Claro que, para aqueles que seguiam as normas esotéricas, isso foi de grande importância e tal fato não passou despercebido de Himmler no outono de 1935. Ao estabelecer o castelo como o “centro do mundo”, que servia mais como uma central de seu grupo, a torre serviu como uma espécie de centro de culto pseudorreligioso para os oficiais do alto escalão das SS.

Um projeto assim ambicioso precisaria de ajuda para que tomasse a forma desejada. Afinal, um castelo medieval precisaria de alguns retoques em seus planos estruturais, tarefa que coube ao arquiteto Hermann Bartels, ele próprio um membro das SS. A Torre Norte teve as seguintes áreas planejadas para poder aproveitar sua significância em três níveis:

 

1) Onde havia originalmente uma cisterna foi criada uma caverna no modelo dos túmulos encontrados por Heinrich Schliemann (o descobridor de Troia) na cidade grega de Micenas, que deveria servir para uma espécie de comemoração dos mortos.

 

2) O andar térreo deveria receber ainda uma sala cheia de colunas.

 

3) Os níveis superiores deveriam ser completados com salas de reunião para os componentes das SS.

 

Porém, o projeto nunca foi completado, pois foi interrompido em 1943. Os estudiosos do local não conseguiram ainda discernir se o símbolo no piso da Torre foi posto antes ou depois dos nazistas e da ocupação de Himmler. Há várias especulações e discussões sobre o verdadeiro propósito do Sol Negro naquele local.

O Museu de Wewelsburg comercializa um livro sobre a história do castelo entre 1933 e 1935, mas não diz quem o colocou lá. Os planos que haviam sido traçados por Bartels não mencionam o mosaico. Para ajudar na divulgação das lendas nazistas, ainda circulam boatos de que, no meio do desenho, havia um disco de ouro, embora fotos do local mostrem que isso não seria muito provável.

Outra história que ajuda o mito do Sol Negro é o rumor de que um desenho idêntico ao do castelo de Wewelsburg foi encontrado numa parede pintada em um abrigo memorial militar dedicado a Otto von Bismark, responsável pela unificação da Alemanha e primeiro chanceler do Império Alemão.

 

O Símbolo

O grande mistério reside no fato de se saber um detalhe: qual teria sido a real inspiração para Himmler lançar mão de tal símbolo. Aparentemente, sua inspiração foi um “velho símbolo ariano” que deveria imitar a Távola Redonda do mito arturiano, na qual cada raio do Sol representaria originalmente um cavaleiro ou, no caso dos nazistas, um oficial do círculo interno das SS. Há uma versão do Sol cuja interpretação foi divulgada num romance de grande sucesso britânico, The Black Sun, de James Twining. O símbolo uniria três outros componentes da ideologia nazista: a roda solar, a suástica e a runa estilizada da vitória.

Erich Halik, membro de um grupo esotérico chamado Círculo de Viena (formado em 1950), foi o primeiro a ligar as SS com o símbolo do Sol Negro após observar a presença desse símbolo em um avião alemão ao final da 2ª Guerra Mundial. Outra fonte que liga o símbolo ao culto nazista foi o chamado Seminário Thule (não confundir com a Sociedade Thule), uma organização neonazista de elite com sede em Kassel, cidade situada no norte do Estado de Hessen, no oeste da Alemanha. Seu jornal, chamado Elemente, traz em edição publicada em 1998 uma ilustração composta por um guerreiro marcial que segura um escudo decorado com a roda de Wewelsburg. Sua espada levantada proclama o esforço para o “renascimento da Europa” contra o “holocausto de pessoas no altar do multiculturalismo”.

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